Biólogo português participa na Global Reef Expedition
João Monteiro irá focar-se na diversidade de algas fotossintéticas associadas a corais
2011-11-29
Por Susana Lage

João Monteiro
A Global Reef Expedition é uma expedição organizada pela Khaled Bin Sultan Living Oceans Foundation (LOF) com um plano científico multidisciplinar mas que tem como objectivo geral“desenvolver trabalho que promova a conservação e preservação de habitats de recife de coral”, explica o biólogo português ao Ciência Hoje.
A oportunidade para o cientista participar nesta missão surgiu, no inicio deste ano, quando foi convidado para apresentar a candidatura ao programa Living Oceans Foundation Fellowships. Este programa internacional de bolsas tem vindo a financiar alunos de doutoramento e investigadores de pós-doutoramento ao longo dos últimos anos. O programa recebe candidaturas de todo o mundo e selecciona um a dois candidatos com base no seu perfil, currículo e plano de investigação proposto. “Depois de ter apresentado a minha candidatura em Março, fui informado da minha selecção no início deste mês para fazer parte da equipa principal da Global Reef Expedition”, conta.
Plano de trabalho
A expedição começou em 2011, período em que se manteve nas Caraíbas, e deverá seguir viagem atravessando o Pacífico e o Índico até chegar ao Mar Vermelho.

O plano de trabalho inclui a caracterização, mapeamento e delimitação de recifes recorrendo a detecção remota e equipas de mergulhadores; a caracterização da estrutura das comunidades de coral e avaliação do seu estado de saúde; e diversos outros planos específicos que procuram melhorar o conhecimento sobre mecanismos chave da biologia e ecologia destes complexos.
Mais especificamente, o objecto de estudo da expedição centra-se num tipo de micro-algas que residem no interior dos corais e das quais eles dependem. “O sucesso dos corais e as estruturas imponentes que eles criam dependem, em grande parte, destas pequenas algas dinoflageladas do gébero Symbiodinium. A relação mutualística entre coral e alga beneficia ambos os organismos: os corais obtêm energia necessária para a sua sobrevivência e formação do esqueleto calcário que forma o recife e as algas obtêm protecção e compostos necessários à fotossíntese (produtos das respiração dos corais)”, explica João Monteiro. Na realidade, “as algas satisfazem até 90 por cento das necessidades energéticas dos corais e sem elas os corais dificilmente sobrevivem”, sublinha.
Segundo o cientista, existe uma série de factores que promovem stress e a dissociação da relação entre algas e corais. Nestes casos, os corais expelem as algas e perdem a coloração, um fenómeno chamado debleaching (lixiviamento) por revelar o esqueleto branco dos corais. Um dos factores de stress mais conhecido por promover a perda das algas é o aumento de temperatura. “O aquecimento das águas tem vindo a provocar eventos de bleaching e a morte de vastas extensões de recife de coral”, alerta.

Uma vez que as algas apresentam uma elevada diversidade (genética) e que diferentes tipos de algas conferem diferentes níveis de tolerância a factores de stress, o objectivo do biólogo é, assim, “mapear a diversidade deste tipo de algas em espécies chave (de coral) e tentar perceber de que forma essa diversidade está associada à geografia, a condições ambientais, a eficiência fotossintética, entres outros”. Com isto, a equipa do Global Reef Expedition espera “identificar zonas mais tolerantes e zonas mais susceptíveis a alterações ambientais e entender melhor os mecanismos associados a esta relação simbiótica e à diversidade de algas”, diz João Monteiro.
Novas valências e oportunidades
Apesar de Portugal não possuir nenhuma zona de corais tropicais, esta expedição é importante para o país por várias razões. A primeira “prende-se com o facto de os habitats de recife de coral serem um património mundial e não de um ou outro país. Cada vez mais se reconhece a interligação dos habitats e ecossistemas e, tal como as florestas tropicais no meio terrestre, a conservação de ecossistemas marinhos tropicais deverá ser essencial para o funcionamento e ‘saúde’ dos oceanos”. A segunda relaciona-se com“o facto de trazer novas valências e oportunidades de investigação para investigadores do Centro do IMAR da Universidade dos Açores”. Na realidade, como afirma João Monteiro, “a maior parte dos países ou locais com vastas áreas de recife de coral não possuem muitos meios logísticos, de pessoal e financeiros para produzir ciência. A grande maioria da investigação associada a recifes de coral é realizada fora dos trópicos, onde não há recifes de coral. Os investigadores deslocam-se até aos locais de estudo e, depois de realizado o trabalho de campo, regressam para os seus institutos”.
Para o investigador, esta expedição revela que “a qualidade da produção científica nacional é competitiva e reconhecida a nível internacional”. E sublinha: “Esta oportunidade permite a possibilidade de participar numa expedição única que cobre uma vasta área geográfica a partir de uma excelente plataforma e com uma equipa alargada e multidisciplinar”.
João Monteiro está, no momento, a terminar a tese de doutoramento sobre a estrutura de comunidades de coral de Cabo Verde e a diversidade de algas Symbiodinium. Em Janeiro deve visitar a Universidade do Algarve para uma acção de ‘treino’ na manipulação e operação de um aparelho que permite estimar a eficiência fotossintética de algas debaixo de água. Durante esta visita deverá ser ainda discutida a possibilidade de colaboração e de investigação complementar ao trabalho que o cientista irá desenvolver na Global Reef Expedition.
Plano de trabalho
A expedição começou em 2011, período em que se manteve nas Caraíbas, e deverá seguir viagem atravessando o Pacífico e o Índico até chegar ao Mar Vermelho.

A expedição será feita a bordo do navio Golden Shadow
Mais especificamente, o objecto de estudo da expedição centra-se num tipo de micro-algas que residem no interior dos corais e das quais eles dependem. “O sucesso dos corais e as estruturas imponentes que eles criam dependem, em grande parte, destas pequenas algas dinoflageladas do gébero Symbiodinium. A relação mutualística entre coral e alga beneficia ambos os organismos: os corais obtêm energia necessária para a sua sobrevivência e formação do esqueleto calcário que forma o recife e as algas obtêm protecção e compostos necessários à fotossíntese (produtos das respiração dos corais)”, explica João Monteiro. Na realidade, “as algas satisfazem até 90 por cento das necessidades energéticas dos corais e sem elas os corais dificilmente sobrevivem”, sublinha.
Segundo o cientista, existe uma série de factores que promovem stress e a dissociação da relação entre algas e corais. Nestes casos, os corais expelem as algas e perdem a coloração, um fenómeno chamado debleaching (lixiviamento) por revelar o esqueleto branco dos corais. Um dos factores de stress mais conhecido por promover a perda das algas é o aumento de temperatura. “O aquecimento das águas tem vindo a provocar eventos de bleaching e a morte de vastas extensões de recife de coral”, alerta.

O plano de trabalho inclui a caracterização, mapeamento e delimitação de recifes (Foto: Romina – Cabo Verde Diving)
Novas valências e oportunidades
Apesar de Portugal não possuir nenhuma zona de corais tropicais, esta expedição é importante para o país por várias razões. A primeira “prende-se com o facto de os habitats de recife de coral serem um património mundial e não de um ou outro país. Cada vez mais se reconhece a interligação dos habitats e ecossistemas e, tal como as florestas tropicais no meio terrestre, a conservação de ecossistemas marinhos tropicais deverá ser essencial para o funcionamento e ‘saúde’ dos oceanos”. A segunda relaciona-se com“o facto de trazer novas valências e oportunidades de investigação para investigadores do Centro do IMAR da Universidade dos Açores”. Na realidade, como afirma João Monteiro, “a maior parte dos países ou locais com vastas áreas de recife de coral não possuem muitos meios logísticos, de pessoal e financeiros para produzir ciência. A grande maioria da investigação associada a recifes de coral é realizada fora dos trópicos, onde não há recifes de coral. Os investigadores deslocam-se até aos locais de estudo e, depois de realizado o trabalho de campo, regressam para os seus institutos”.
A bordo do Golden Shadow
O Golden Shadow é um navio de 67 m equipado com instrumentos de navegação e comunicações tecnológicos avançados, laboratórios secos e húmidos, diversas embarcações e instalações com câmara hiperbárica para apoio a trabalho de campo e mergulho. Com capacidade de receber até 24 cientistas, o Golden Shadow proporciona excelentes condições operacionais e técnicas.João Monteiro está, no momento, a terminar a tese de doutoramento sobre a estrutura de comunidades de coral de Cabo Verde e a diversidade de algas Symbiodinium. Em Janeiro deve visitar a Universidade do Algarve para uma acção de ‘treino’ na manipulação e operação de um aparelho que permite estimar a eficiência fotossintética de algas debaixo de água. Durante esta visita deverá ser ainda discutida a possibilidade de colaboração e de investigação complementar ao trabalho que o cientista irá desenvolver na Global Reef Expedition.
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