quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Investigadora portuguesa premiada por comprovar que comer devagar emagrece


02/01/2012 - 09:09

Júlia Galhardo foi premiada este ano com o Henning Andersen da Sociedade Europeia de Endocrinologia pediátrica

A velocidade com que ingerimos os alimentos tem influência no peso corporal e comer devagar tem resultados equiparáveis aos de uma cirurgia bariátrica, revela um estudo realizado por uma investigadora portuguesa que ganhou um prémio internacional, avança a agência Lusa.

A investigação premiada de Júlia Galhardo durou um ano e teve por base 500 jovens obesos que estavam a ser acompanhados no Hospital Pediátrico de Bristol, em Inglaterra, com o objectivo de estudar as hormonas que estão relacionadas com os hábitos alimentares.

São duas hormonas do sistema digestivo que circulam no sangue: a grelina, segregada pelo estômago e que induz a sensação de fome e o peptídeo tirosina-tirosina (PYY), segregado pelo intestino e que dá a sensação de saciedade.

Os jovens foram divididos em dois grupos e a um foi dada uma balança computorizada na qual colocavam o prato com os alimentos do almoço e do jantar e que media a velocidade a que comiam, sendo que o ritmo pré-formatado era de cerca de 300-350 gramas em 12-15 minutos.

Caso a velocidade fosse superior, o computador dizia para comerem mais devagar.

Ao segundo grupo (de controlo) foi apenas fornecido aconselhamento dietético e físico.

“Passados esses doze meses fomos ver o índice de massa corporal (IMC) do grupo de controlo e do grupo estudado e o grupo relacionado com a balança tinha uma diminuição do índice de massa corporal significativamente superior à do grupo de controlo. Isto deixou-nos muito contentes porque era uma forma barata e acessível de todos diminuírem o peso”, revelou à agência Lusa a investigadora principal.

Júlia Galhardo apontou que é do senso comum que comer devagar faz com que se fique saciado mais depressa e não se ganhe peso, mas que ninguém tinha antes estudado o que acontecia a nível hormonal.

“No fundo há uma comunicação entre o aparelho digestivo e o cérebro, em que o aparelho digestivo diz: ‘estamos com fome, venha daí comida’. Depois de estarmos a comer, ele diz: ‘já chega, já estamos saciados, não é preciso vir mais comida’”, explicou a investigadora.

De acordo com Júlia Galhardo, quando as crianças e os adolescentes comiam de forma lenta, as hormonas que regulam a fome e a saciedade, e que tinham estado totalmente alteradas pelos maus hábitos alimentares, ficaram novamente reguladas, regularizando também a comunicação entre o sistema digestivo e o cérebro.

Era do senso comum que comendo mais devagar as pessoas ficavam mais saciados e perdiam peso.

Porém, sublinhou Júlia Galhardo, "ninguém foi estudar o que é que acontecia a nível hormonal e ao nível fisiológico e nunca ninguém tinha ido estudar a possibilidade de reajustar esta comunicação entre o sistema digestivo e o cérebro" através da redução da velocidade de ingestão.

De acordo com a investigadora, o trabalho mostrou que tornar o processo de ingestão de alimentos mais lento tem resultados comparáveis aos das cirurgias bariátricas, ou seja, cirurgias realizadas em pessoas com um elevado nível de obesidade e que normalmente serve para reduzir o tamanho do estômago.

Segundo Júlia Galhardo, nunca se deve perder menos de trinta minutos a comer, tendo em conta que cada uma das refeições deve incluir uma sopa de legumes e um prato principal.
A investigadora espera que esta descoberta seja divulgada nos centros de saúde, campanhas de esclarecimento ou mesmo nos estabelecimentos de ensino, lembrando que este é um caso de saúde pública.


Relembrar o grande geógrafo Português ORLANDO RIBEIRO


Universidade do Minho homenageia 

Orlando Ribeiro   

              

“É importante que os geógrafos portugueses e também os políticos se voltem, de novo, para as missões geográficas nas ex-colónias. É que na última década, uma parte significativa dos estudos tem sido liderada por estrangeiros, e nós temos que reatar esses laços, até por questões culturais”.

A chamada de atenção foi feita por Ana Francisca Azevedo, docente no Departamento de Geografia da Universidade do Minho (UMinho), durante as comemorações do centenário do nascimento de
Orlando Ribeiro - grande mestre da geografia em Portugal e no estrangeiro. ‘Portugal Mediterrâneo e Atlântico’ é uma das suas mais famosas obras.

A Universidade do Minho associou-se a estas comemorações, que decorrem em várias universidades portuguesas e estrangeiras, levando a cabo um colóquio e uma exposição, que passam em revista a vida e obra do investigador.

“Orlando Ribeiro foi, e é, o mestre da geografia portuguesa e o seu trabalho foi muito importante na construção da geografia portuguesa moderna e da geografia das nossas ex-colónias, sendo uma referência incontornável na ciência geográfica portuguesa”, sublinhou a docente, fazendo jus ao “grande legado” deixado pelo geógrafo e pelos seus discípulos.

Muitos foram os investigadores da área que, ontem, participaram no colóquio, entre os quais José Ramiro Pimenta, que enunciou os principais locais investigados por Orlando Ribeiro ao longo da sua longa carreira, durante a qual deu primazia a Angola (Benguela), Brasil (Baía/Nordeste), Guiné, Cabo Verde, Moçambique e, ainda, a Índia.

“Estes foram os lugares onde os estudos de Orlando Ribeiro mais incidiram, precisamente porque ele costuma indicá-los como sendo os lugares onde os povos se entrosavam por excelência”, apontou o responsável, que destacou, todavia, que o investigador considerava que Angola deveria ser o próximo Brasil.
Junto com a obra do geógrafo, exibida em exposição inserida nas comemorações do centenário do nascimento de Orlando Ribeiro foi inaugurada, também ontem, a exposição ‘Orlando Ribeiro (1911-1997) - "Encontro de Culturas’, que está patente na Biblioteca Interactiva do campus de Azurém, em Guimarães, até ao próximo dia 17 de Dezembro.

“Esta exposição mostra uma parte do espólio geográfico de Orlando Ribeiro, com livros e obras que escreveu ao longo de uma carreira muito longa e frutuosa”, referiu João Sarmento, professor no Departamento de Geografia da UMinho e organizador da mostra.
“Aqui podemos ver, também, alguns cartazes, que já tínhamos concebido, e que exibem o trabalho que Orlando Ribeiro realizou, com parte do estudo daquilo que foi a expansão portuguesa e que mostram este grande geógrafo enquanto fotógrafo”.

Núcleo de Geografia destaca-se em várias áreas de investigação

Actualmente, o Núcleo de Geografia e Planeamento do Departamento de Geografia da Universidade do Minho , demarca-se no panorama nacional e internacional em várias áreas de estudos de geografia física e humana. As áreas cultural, da saúde, pós-coloniais, de matéria visual e audiovisual ou o ciberespaço constituem-se como algumas das principais investigações do Núcleo de Geografia e Planeamento da academia minhota.

“A UMinho tem uma licenciatura, mestrado e doutoramento em Geografia, e por isso, nós usamos também o legado que o geógrafo Orlando Ribeiro nos deixou, pois foi ele que informou sobre toda a geografia portuguesa e nós somos os herdeiros do seu trabalho”, assinalou Ana Francisca Azevedo, da comissão organizadora das comemorações do centenário do nascimento do homem que ainda hoje é visto como um “mestre”.

Vamos apoiar a indústria portuguesa de Casas Ecológicas!

ECOCASA PORTUGUESA um blogue que recomendamos!

ANA HILÁRIO da Universidade de Aveiro integra equipa que identifica novas espécies na Antartica!


Ana Hilário 
 Telefone: +351 234 370 771 
 e-mail: ahilario@ua.pt 
 Categoria: Estagiária de Pós-Doutoramento 
 Departamento: Biologia 
 Linha de Investigação: Ecossistemas Marinhos e Modelação 
 Grupo de Investigação: Ecologia Marinha e Estuarina 
Factor de pesquisa no ISI Web of KnowledgeSMAU=(Hilario A) and AD=(Aveiro OR Southampton) 
  
 Título: SFRH / BPD / 22383 / 2005
 Orientador: Marina R. Cunha, Paul A. Tyler (NOCS, UK)
 Categoria: BO
 Tipo de bolsa: BPD
 Entidade financiadora: FCT
 Referência da Bolsa: SFRH
 Data de início: 2006-02-01
 Data de término: 2012-01-31
Habilitações
Doutoramento em Oceanografia, Southampton Oceanography Centre, 2005.
Licenciatura em Ciências do Meio Aquático, Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, U. Porto, 2001.
Actuais interesses de investigação
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Ciclos de vida e biologia reprodutiva de invertebrados marinhos, incluíndo gametogénese, esforço reprodutivo, processos de fertilização e desenvolvimento e dispersão larvar

Ecologia de ecossistemas quimiossintéticos, incluído fontes hidrotermais, fontes frias e depósitos orgânicos.

Filogenia, taxonomia e biologia reprodutiva de Siboglinídeos (Annelida: Polychaeta: Siboglinidae).

Conectividade entre ecosistemas do mar profundo.
Participação em campanhas oceanográficas
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1999. TTR-9 (programa Training Through Research). RV Professor Logachev. Golfo de Cadis.
2000. TTR-10 (programa Training Through Research). RV Professor Logachev. Açores, Crista meso-Atlântica.
2002. RV Seaward Johnson com o submersível Jason Sea-Link. Golfo do México.
2003 (duas campanhas). RV Seaward Johnson com o submersível Jason Sea-Link. Golfo do México.
2004. (duas campanhas). RV Seaward Johnson com o submersível Jason Sea-Link. Golfo do México.
2005. RV Atlantis com o submersível Alvin. Crista do Pacífico Este e Crista Pacífico-Antarctica.
2005. RV Melville com o ROV Jason. Bacia de Lau (SW Pacífico).
2006. TTR-16 (programa Training Through Research). RV Professor Logachev. Golfo de Cadis.
2007. RSS James Cook com o ROV Isis. Golfo de Cádis.
2007. RV Belgica com o ROV Genesis. Golfo de Cádis.
2007. RV Western Flyer com o ROV Tiburon. Canhão de Monterey.
2008. 2006. TTR-16 (programa Training Through Research). RV Professor Logachev. Mar de Alboran e Golfo de Cadis.
2009. RSS James Clark Ross. East Scotia Sea (Antarctica).
2009. RV Belgica com o ROV Genesis. Golfo de Cádis.
2011. NRP Almirante Gago Coutinho. Canhão de Setúbal. (Investigador principal).
Artigos anteriores
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Hilario, A., C.M. Young, and P.A. Tyler (2005). Sperm Storage, Internal Fertilization and embryonic dispersal in vent and Seep Tubeworms (Polychaeta: Siboglinidae: Vestimentifera). Biological Bulletin 208:20-28.

Cunha, M. R., Hilário, A. M., Teixeira, I. G., Shipboard Scientific Party of TTR 10 Cruise- Leg 2 (2001). The faunal community from the Lucky Strike hydrothermal vent field. Geological Processes on Deep-Water EuropeanMargins, IOC Workshop Report, 175: 73-74.

Cunha, M.R., Hilário A. M., Teixeira I.G. (2001) The faunal community associated to mud volcanoes in the Gulf of Cadiz. Geological Processes on Deep-Water EuropeanMargins, IOC Workshop Report, 175:62
Projectos
CARCACE - Colonização de carcaças de mamíferos no Oceano Atlântico profundo [ver detalhes]

SWIMGLO – A ligação dos limites de placas Falhas Glória-SWIM e a sua importância na propagação da deformação tectónica e de ecossistemas profundos no limite de placas Açores-Gibraltar [ver detalhes]

HERMIONE - Investiigação de ecossistemas "hotspot" e Impacto Humano nos mares Europeus [ver detalhes]

LusoMarBoL - Integrando abordagens moleculares na investigação da biodiversidade marinha em Portugal: Implementação de Barcoding de DNA e investigação de padrões filogeográficos [ver detalhes]
Publicações
Rogers A.D. , Tyler P.A., Connelly D.P., Copley J.T., James R.H., Larter R.D., Linse K., Mills R.A., Naveiro-Garabato A., Pancost D., Pearce D.A., Polunin N.V.C., German C.R., Shank T., Alker B., Aquilina A., Bennett S.A., Clark A., Dinley R.J.J., Graham A.G.C., Green D.R.H., Hawkes J.A., Hepburn L., Hilário A., Huvenne V.A.I., Marsh L., Ramirez-Llodra E., Reid W.D.K., Roterman C.N., Sweeting C.J., Thatje S., Zwirglmaier K. (2012) The discovery of new deep-sea hydrothermal vent communities in the Southern Ocean and implications for biogeography. PLoS Biology. 10, e1001234,  ver detalhes

Hilário A., Comas M.C., Azevedo L., Pinheiro L., Ivanov M.K., Cunha M.R. (2011) First record of a Vestimentifera (Polychaeta: Siboglinidae) from chemosynthetic habitats in the western Mediterranean Sea - Biogeographical implications and future exploration. Deep Sea Research I. 58, 200-207. ver detalhes
Link: http://www.sciencedirect.com/science?_ob=ArticleURL&_udi=B6VGB-51M0N73-4...

Hilário A., Capa M., Dahlgren T.G., Halanych K.M., Little C.T.S., Thornhill D.J., Verna C., Glover A.G. (2011) New perspectives on the ecology and evolution of siboglinid tubeworms. PLoS One. 6, 2, e16309. ver detalhes

Rodrigues C.F., Hilário A., Cunha M.R., Weightman A.J., Webster G. (2011) Microbial diversity in Frenulata (Siboglinidae, Polychaeta) species from the mud volcanoes of the Gulf of Cadiz (NE Atlantic). Antoine van Leeuwenhoek. 100, 1, 83-98.ver detalhes
Link: http://dx.doi.org/10.1007/s10482-011-9567-0

Cunha M.R. , Paterson G.L.J. , Amaro T. , Blackbird S., de Stigter H.C. , Ferreira C. , Glover A. , Hilário A. , Kiriakoulakis K. , Neal L., Ravara A. , Rodrigues C.F. , Tiago A. , Billett D.S.M. (2011) Biodiversity of macrofaunal assemblages from three Portuguese submarine canyons (NE Atlantic). Deep-Sea Research II. 58, 2433-2447. ver detalhes
Link: http://dx.doi.org/10.1016/j.dsr2.2011.04.007

Hilário A., Johnson S.B., Cunha M.R., Vrijenhoek R.C (2010) High diversity of frenulates (Polychaeta: Siboglinidae) in the Gulf of Cadiz mud volcanoes: A DNA taxonomy analysis. Deep-Sea Research I. 57, 143-150. ver detalhes
Link: http://www.sciencedirect.com/science?_ob=ArticleURL&_udi=B6VGB-4XF83PC-3...

Hilário A., Vilar S., Cunha M.R., Tyler P.A. (2009) Reproductive aspects of two bythograeid crab species from hydrothermal vents in the Pacific-Antarctic Ridge. Marine Ecology Progress Series. 378, 153-160. ver detalhes

Vanreusel A., Andersen A.C., Connelly D., Cunha M.R., Decker C., Hilario A., Kormas K.A., Maignien L., Olu K., Pachiadaki M., Ritt B., , Rodrigues C., Sarrazin J., Tyler P., Van Gaever S., Vanneste H. (2009) Biodiversity of cold seeps ecosystems along the European Margins. Oceanography. 22, 110-127. ver detalhes

Hilário A., Tyler P.A., Pond D.W. (2008) A new method to determine the reproductive condition in female tubeworms tested in Seepiophila jonesi (Polychaeta: Siboglinidae: Vestimentifera). Journal of the Marine Biological Association of the United Kingdom. 88, 5, 909 - 912. ver detalhes

Hilário A, Cunha MR (2008) On some frenulate species (Annelida: Polychaeta: Siboglinidae) from mud volcanoes in the Gulf of Cadiz (Northeast Atlantic). Scientia Marina. 72, 361-371. ver detalhes

Hilário A., Young C.M., Tyler P.A. (2005) Sperm Storage, Internal Fertilization and embryonic dispersal in vent and Seep Tubeworms (Polychaeta: Siboglinidae: Vestimentifera). Biological Bulletin. 208, 20-28. ver detalhes

17/10/2011
 
http://www.youtube.com/watch?v=5JJktDWWOLs


Biólogo português participa na Global Reef Expedition

João Monteiro irá focar-se na diversidade de algas fotossintéticas associadas a corais

2011-11-29
Por Susana Lage

João Monteiro
João Monteiro
João Monteiro, do Centro do IMAR da Universidade dos Açores, foi seleccionado para integrar a equipa principal de investigadores da Global Reef Expedition, uma expedição que irá estudar, ao longo dos próximos quatro anos, alguns dos locais e recifes de coral mais remotos dos oceanos Atlântico, Pacifico e Índico.

A Global Reef Expedition é uma expedição organizada pela Khaled Bin Sultan Living Oceans Foundation (LOF) com um plano científico multidisciplinar mas que tem como objectivo geral“desenvolver trabalho que promova a conservação e preservação de habitats de recife de coral”, explica o biólogo português ao Ciência Hoje.

A oportunidade para o cientista participar nesta missão surgiu, no inicio deste ano, quando foi convidado para apresentar a candidatura ao programa Living Oceans Foundation Fellowships. Este programa internacional de bolsas tem vindo a financiar alunos de doutoramento e investigadores de pós-doutoramento ao longo dos últimos anos. O programa recebe candidaturas de todo o mundo e selecciona um a dois candidatos com base no seu perfil, currículo e plano de investigação proposto. “Depois de ter apresentado a minha candidatura em Março, fui informado da minha selecção no início deste mês para fazer parte da equipa principal da Global Reef Expedition”, conta.

Plano de trabalho

A expedição começou em 2011, período em que se manteve nas Caraíbas, e deverá seguir viagem atravessando o Pacífico e o Índico até chegar ao Mar Vermelho.

A expedição será feita a bordo do navio Golden Shadow
A expedição será feita a bordo do navio Golden Shadow
O plano de trabalho inclui a caracterização, mapeamento e delimitação de recifes recorrendo a detecção remota e equipas de mergulhadores; a caracterização da estrutura das comunidades de coral e avaliação do seu estado de saúde; e diversos outros planos específicos que procuram melhorar o conhecimento sobre mecanismos chave da biologia e ecologia destes complexos.

Mais especificamente, o objecto de estudo da expedição centra-se num tipo de micro-algas que residem no interior dos corais e das quais eles dependem. “O sucesso dos corais e as estruturas imponentes que eles criam dependem, em grande parte, destas pequenas algas dinoflageladas do gébero Symbiodinium. A relação mutualística entre coral e alga beneficia ambos os organismos: os corais obtêm energia necessária para a sua sobrevivência e formação do esqueleto calcário que forma o recife e as algas obtêm protecção e compostos necessários à fotossíntese (produtos das respiração dos corais)”, explica João Monteiro. Na realidade, “as algas satisfazem até 90 por cento das necessidades energéticas dos corais e sem elas os corais dificilmente sobrevivem”, sublinha.

Segundo o cientista, existe uma série de factores que promovem stress e a dissociação da relação entre algas e corais. Nestes casos, os corais expelem as algas e perdem a coloração, um fenómeno chamado debleaching (lixiviamento) por revelar o esqueleto branco dos corais. Um dos factores de stress mais conhecido por promover a perda das algas é o aumento de temperatura. “O aquecimento das águas tem vindo a provocar eventos de bleaching e a morte de vastas extensões de recife de coral”, alerta.

O plano de trabalho inclui a caracterização, mapeamento e delimitação de recifes (Foto: Romina – Cabo Verde Diving)
O plano de trabalho inclui a caracterização, mapeamento e delimitação de recifes (Foto: Romina – Cabo Verde Diving)
Uma vez que as algas apresentam uma elevada diversidade (genética) e que diferentes tipos de algas conferem diferentes níveis de tolerância a factores de stress, o objectivo do biólogo é, assim, “mapear a diversidade deste tipo de algas em espécies chave (de coral) e tentar perceber de que forma essa diversidade está associada à geografia, a condições ambientais, a eficiência fotossintética, entres outros”. Com isto, a equipa do Global Reef Expedition espera “identificar zonas mais tolerantes e zonas mais susceptíveis a alterações ambientais e entender melhor os mecanismos associados a esta relação simbiótica e à diversidade de algas”, diz João Monteiro.

Novas valências e oportunidades

Apesar de Portugal não possuir nenhuma zona de corais tropicais, esta expedição é importante para o país por várias razões. A primeira “prende-se com o facto de os habitats de recife de coral serem um património mundial e não de um ou outro país. Cada vez mais se reconhece a interligação dos habitats e ecossistemas e, tal como as florestas tropicais no meio terrestre, a conservação de ecossistemas marinhos tropicais deverá ser essencial para o funcionamento e ‘saúde’ dos oceanos”. A segunda relaciona-se com“o facto de trazer novas valências e oportunidades de investigação para investigadores do Centro do IMAR da Universidade dos Açores”. Na realidade, como afirma João Monteiro, “a maior parte dos países ou locais com vastas áreas de recife de coral não possuem muitos meios logísticos, de pessoal e financeiros para produzir ciência. A grande maioria da investigação associada a recifes de coral é realizada fora dos trópicos, onde não há recifes de coral. Os investigadores deslocam-se até aos locais de estudo e, depois de realizado o trabalho de campo, regressam para os seus institutos”.

A bordo do Golden Shadow
O Golden Shadow é um navio de 67 m equipado com instrumentos de navegação e comunicações tecnológicos avançados, laboratórios secos e húmidos, diversas embarcações e instalações com câmara hiperbárica para apoio a trabalho de campo e mergulho. Com capacidade de receber até 24 cientistas, o Golden Shadow proporciona excelentes condições operacionais e técnicas.
Para o investigador, esta expedição revela que “a qualidade da produção científica nacional é competitiva e reconhecida a nível internacional”. E sublinha: “Esta oportunidade permite a possibilidade de participar numa expedição única que cobre uma vasta área geográfica a partir de uma excelente plataforma e com uma equipa alargada e multidisciplinar”.

João Monteiro está, no momento, a terminar a tese de doutoramento sobre a estrutura de comunidades de coral de Cabo Verde e a diversidade de algas Symbiodinium. Em Janeiro deve visitar a Universidade do Algarve para uma acção de ‘treino’ na manipulação e operação de um aparelho que permite estimar a eficiência fotossintética de algas debaixo de água. Durante esta visita deverá ser ainda discutida a possibilidade de colaboração e de investigação complementar ao trabalho que o cientista irá desenvolver na Global Reef Expedition.

Melhor Empresária da Europa é portuguesa

Publicado em 2011-11-22

 
 
foto ALGARVEPHOTOPRESS/GLOBAL IMAGENS
Melhor Empresária da Europa é portuguesa
Sandra Correia
 
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A portuguesa Sandra Correia, 40 anos, presidente executiva da empresa algarvia de cortiça Pelcor, venceu o Troféu de Melhor Empresária da Europa 2011, atribuído pelo Parlamento Europeu e Conselho Europeu das Mulheres Empresárias.
"Este prémio abre novas portas para a Pelcor e para a cortiça e é um caso de motivação e orgulho para Portugal", declarou a empresária algarvia, criadora da marca Pelcor e que aproveitou a fábrica de rolhas de cortiça do pai para se lançar no mundo da moda e do design.
A entrega do troféu a Sandra Correia foi realizada, segunda-feira, em França, por Alain Juppé, ministro dos Negócios Estrangeiros francês, e por Elisabeth Morin Chartier, vice presidente da Comissão Europeia dos Direitos das Mulheres e Igualdade de Género.
A marca Pelcor, além de estar no mercado das rolhas de cortiça para os mais finos champanhes, licores e vinhos do mundo, distingue-se actualmente pelos produtos de design luxuosos concebidos a partir da casca de sobreiro, onde os chapéus de chuva de cortiça são o artigo mais original que oferecem.
A marca produz também bolsas de cosmética, relógios de pulso, aventais, malas a tiracolo, sacos de compras, bolsas para moedas, carteiras para homem e até já criou uma linha exclusiva composta por mala, malote, carteira e porta óculos para a cantora Madona, quando a artista esteve em Portugal em 2008.
Alguns desses objectos de 'design' feitos em cortiça estão à venda no Museu de Arte Moderna (MOMA) de Nova Iorque, um dos mais conceituados do mundo.
O negócio corticeiro da família Correia começou em 1935, no centro do Algarve, região considerada o berço da melhor cortiça do mundo.
A Pelcor tem tido um volume de negócios em ascensão, onde, por exemplo, em 2007 superou o meio milhão de euros em 2006, e está a apostar no mercado do Médio Oriente, designadamente Dubai ou Emirados Árabes.